Trigêmeas de escola pública no Ceará conquistam juntas vagas em universidades públicas

Mesmo em salas diferentes, irmãs mantiveram rotina intensa de estudos entre a escola e o curso preparatório até a aprovação.

Letícia, Yasmin e Beatriz Oliveira, alunas da escola estadual Doutor César Cals, comemoram a aprovação em universidades públicas e em uma instituição privada aos 18 anos, em Fortaleza. Foto: Fabiane de Paula.

A manhã desta terça-feira (3) foi marcada por emoção e celebração na Escola de Ensino Fundamental e Médio Doutor César Cals, em Fortaleza. Entre estudantes com rostos e braços pintados em comemoração às aprovações no ensino superior, um caso ganhou destaque: irmãs trigêmeas comemoraram, juntas, o ingresso na universidade. A conquista tripla marcou a trajetória da família Oliveira.

Aos 18 anos, Letícia Oliveira foi aprovada em Serviço Social na Universidade Estadual do Ceará (Uece); Yasmin Oliveira garantiu vaga em Ciências Biológicas, também na Uece; e Beatriz Oliveira conquistou aprovação em Ciência da Computação no Instituto Federal do Ceará (IFCE), campus Maracanaú, além de uma bolsa pelo Prouni em instituição privada para o mesmo curso.

A recepção organizada pela escola homenageou os estudantes aprovados na primeira chamada dos processos seletivos. Até o momento, a instituição contabiliza 253 aprovações, somando Sisu, Uece e Prouni, com casos de alunos aprovados em mais de um processo.

Caminhos diferentes, disciplina em comum

Apesar de compartilharem a mesma casa e a trajetória na rede pública, as trigêmeas fizeram escolhas acadêmicas distintas. Letícia optou por Serviço Social após se identificar com a grade curricular; Yasmin seguiu a afinidade antiga com biologia e medicina; e Beatriz, com facilidade em matemática, avalia entre a vaga no IFCE e a bolsa do Prouni, considerando deslocamento e logística.

Sempre fomos muito diferentes. A Bia é da matemática e a Yasmin gosta de biologia. Eu prefiro artes, e o Serviço Social me cativou depois que pesquisei a grade curricular”, contou Letícia.

A rotina das irmãs começava às 7h e se estendia até as 21h. Embora estudassem em salas diferentes (A, E e F), elas se encontravam nos intervalos e mantinham uma jornada conjunta fora da escola. Além das aulas regulares, frequentavam um curso preparatório no turno da tarde, onde estudavam com bolsa integral, concedida pelo desempenho acadêmico.

O apoio mútuo foi parte da estratégia: com afinidades em áreas diferentes, uma ajudava a outra — e Beatriz costumava reforçar os conteúdos de matemática.

Família como base

Filhas de comerciantes autônomos, as jovens destacam o papel dos pais na sustentação da rotina de estudos. Para otimizar o tempo, a família levava o almoço até a escola. Na véspera do início da nova fase, os pais visitaram as universidades com as filhas para conhecer os trajetos. “Eles sempre apoiaram muito a nossa decisão”, relatou uma das irmãs.

Embora a separação acadêmica represente um novo desafio — já que sempre estudaram juntas —, as trigêmeas encaram a universidade como a realização de um sonho coletivo.
Vai ser uma experiência nova e desafiadora, mas saudável. Ir para a universidade é a realização de um sonho”, afirmou Letícia.

Localizada no bairro Farias Brito, a Escola Dr. César Cals completou 50 anos em 2025 e consolidou-se como a unidade da rede estadual com maior número de egressos aprovados no ensino superior no Ceará nos últimos oito anos. Entre 2017 e 2024, quase duas mil pessoas que concluíram o ensino médio na instituição ingressaram em faculdades.

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