Pela primeira vez em quase 15 anos de história, o bloco infantil Sivozinha Folia animou foliões em um novo cenário. Neste domingo (18), a festa tomou conta da praça da Lagoa da Maraponga, em Fortaleza, com música, brincadeiras e atividades voltadas para o público infantil. Tradicionalmente realizado na Casa José de Alencar, o bloco passa a acontecer no novo endereço e terá edições em todos os domingos do Ciclo Carnavalesco.
A estreia contou com apresentação da banda Arco-íris e marcou o início do 13º ano do projeto, que nasceu no Lago Jacarey e, nos anos seguintes, fez da Casa José de Alencar sua sede oficial, onde conquistou o título de maior bloco infantil da capital cearense.
“O objetivo maior do bloco, além de trazer a cultura na primeira infância, a cultura carnavalesca, é fazer com que as famílias e as crianças saibam que o carnaval faz parte da nossa tradição, e mostrar o carnaval de uma forma mais saudável”, explica a idealizadora Keynne Sampaio. O nome do bloco é uma homenagem ao apelido de sua mãe, Sivocy, entusiasta da folia.
A mudança para a Maraponga, segundo Keynne, ocorreu para facilitar a logística e garantir a continuidade do projeto, que enfrenta dificuldades financeiras pela falta de patrocínios, mesmo sendo um dos destaques do Carnaval de Fortaleza.
“No ano passado, infelizmente, a gente não conseguiu arcar com toda a estrutura, porque o bloco cresceu. Nós participamos do Ciclo Carnavalesco e somos contemplados pelo edital da Secultfor, mas o valor não cobre toda a estrutura que precisamos. Além disso, sentimos uma dificuldade muito grande de patrocínio para o público infantil”, relata.
“É com o edital que eu estou conseguindo fazer isso aqui hoje, e a gente precisa ressaltar isso. Mas, para oferecer uma programação melhor e uma estrutura mais completa, precisamos de patrocinadores”, completa. Além da verba pública, a venda de pipoca, algodão-doce, confetes, serpentinas e outros produtos ajuda a custear as edições do bloco.
Com público intenso, a primeira edição no novo endereço surpreendeu positivamente a organização. Ao lado da mãe, Sivocy, Keynne destacou as vantagens do novo espaço.
“A praça da Lagoa da Maraponga está começando a ser revitalizada, e aqui à noite já tem muitas famílias, por causa dos quiosques. Achei o lugar ideal, mais fresco, aberto”, afirma. “E a gente precisa descentralizar a cultura na infância nos bairros. Eu sou uma agente cultural, tenho essa responsabilidade”, completa.
Pedagoga, Keynne reforça que a programação seguirá voltada para públicos de todas as idades, com marchinhas adaptadas ao universo infantil. Entre as atrações previstas estão a banda Encantar-se, o trenzinho Alegrando e outras surpresas ao longo das próximas semanas.
Segundo ela, a folia carnavalesca tem papel importante no desenvolvimento das crianças, especialmente no estímulo à socialização e à comunicação. “As marchinhas ajudam os pequenos a verbalizar melhor, principalmente pela repetição. E o brincar coletivo é fundamental. Uma criança que não tem irmão ou primo, quando vem para cá, socializa com outra criança”, destaca.
Entre as famílias presentes estavam a estudante Wanessa Paiva, o professor João Paulo Pimentel, de 36 anos, e o filho do casal, Johan, de 4, que vestia fantasia de fantasminha e participava do bloco pelo segundo ano consecutivo.
“Eu sou do interior e, lá, sempre tinha esses momentos na pracinha. Acho importante vir para criar memórias”, conta Wanessa. O novo polo ficou mais próximo para a família, embora ela tenha percebido menos atrações nesta primeira edição. Já João chamou atenção para a falta de banheiros no local. “Falta a prefeitura também dar mais estrutura para a praça”, pontuou.
Keynne Sampaio afirmou que a programação deve crescer nos próximos domingos, conforme aumentem o público e os apoiadores. Ela ressalta ainda o viés social do projeto, que incentiva a doação de leite em pó para instituições beneficentes.
“Além de propagar a cultura, é colocar a sementinha da solidariedade no coração de cada criança”, conclui.
