O Rio Choró e a lenda da índia que chorou por amor

Narrativa indígena explica, em tom poético, a origem do Rio Choró e do canto melancólico do pássaro que lhe dá nome.

Ilustração da lenda do Rio Choró, mostrando a jovem indígena transformada em pássaro após chorar a morte de seu amado, dando origem ao rio. Ilustração: Wescley Barros Borges. Colorização: Hugo Cavalcante.

Amor na serra

Conta a tradição que, há muito tempo, em uma serra distante, vivia uma jovem índia de extraordinária beleza. Seu coração, porém, pertencia a apenas um homem: um jovem guerreiro valente e corajoso.

O amor entre os dois era profundo. Passavam horas admirando o horizonte, contando estrelas sob o céu noturno e celebrando o sentimento que os unia à luz da Lua.


🐍 A inveja de Boiaçu

A felicidade dos jovens despertou a inveja de Boiaçu, um gênio do mal que assumia a forma de uma grande cobra.

Transformando-se em velho pajé, ele semeou desconfiança entre duas tribos, espalhando a falsa notícia de que uma preparava guerra contra a outra. A intriga levou os guerreiros ao confronto.


⚔️ A perda

O jovem guerreiro lutou bravamente, mas Boiaçu, incapaz de vencê-lo em combate, assumiu a forma de serpente venenosa e o atacou enquanto dormia.

Na aldeia, a jovem aguardava o retorno do amado. Quando os guerreiros voltaram sem ele, a notícia da morte trouxe desespero.


🌊 O nascimento do Rio Choró

Tomada pela dor, a jovem correu para a floresta e chorou por muitas luas. Suas lágrimas foram tantas que deram origem a um rio.

Assim nasceu o Rio Choró.

Compadecida, a Lua transformou a jovem em um pássaro – o choró, cujo nome significa murmúrio ou lamento – para que pudesse voar e aliviar sua tristeza.


🎶 O canto que permanece

Diz a tradição que, nas margens do Rio Choró, ainda se ouve o canto melancólico do pássaro. E quando o rio enche em tempo de cheias, é a jovem chorando a dor da perda de seu grande amor.


📚 Referência

Almeida, Milson. O Rio Choró. In: A Serra da Mataquiri, o Rio Malcozinhado e Outras Histórias. 2. ed. Fortaleza: Premius, 2018, p. 55-56.
Ilustração: Wescley Barros Borges – Colorização: Hugo Cavalcante.

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