As relações do Ceará com a China dão uma virada

A aproximação estratégica com a China inaugura um novo ciclo de investimentos, diversificação econômica e protagonismo internacional para o Ceará.

Área da ZPE Ceará, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, onde será implantado o Data Center da ByteDance, controladora do TikTok. Foto: Divulgação.

Já há tempos que alertávamos sobre falhas na inserção internacional do Ceará. Falhas essas não devidamente tratadas nos esforços de planejamento do estado e da iniciativa privada. Com isso o Ceará perdeu oportunidades para alavancar o crescimento, reduzir a pobreza e acelerar o bem-estar de sua gente.

No entanto, nos últimos 30 anos, muito se avançou na infraestrutura, na qualidade da educação e na disseminação de qualificações pelo interior, com a melhoria na escola pública e a descentralização do ensino superior, reduzindo, assim, a histórica macrocefalia de Fortaleza em termos de PIB e criando polos de dinamismo em diversas regiões do Estado. As bases para o desenvolvimento estão, pois, firmemente assentadas.

Afortunadamente, o Ceará está agora dando mais passos na diversificação de parcerias, reduzindo sua tradicional dependência aos EUA como mercado de destino de exportações (ainda quase 50% da pauta) e à Europa como fonte de investimentos. As relações do Ceará com a China, promovidas pela paradiplomacia do atual Governo do Estado, finalmente deslancham e têm tudo para trazer benefícios e oportunidades para o Ceará.

Segundo o Ipece, em 2025, nossas exportações para a China foram de US$ 86,4 milhões (aumento de 50,4%), o que coloca a China como o quinto maior mercado de destino, com 3,79% do total. No lado das importações, em que a China já é o maior fornecedor do Ceará, houve retração, registrando valor de US$ 880,2 milhões, mas mesmo assim perfazendo 32,2% do total importado. Com isso, nossa corrente de comércio com a China se encontra ao redor de US$ 1 bilhão, cifra razoável, mais ainda bem aquém do potencial.

No investimento, a presença chinesa já é expressiva. Nos últimos 60 anos, 400 empresas de capital chinês se instalaram no Ceará, a maioria desde 2010, com capital social de R$ 116,4 milhões e concentrada em pequenos negócios e 300 deles localizados em Fortaleza. No entanto, o quadro muda. O investimento chinês no Ceará está sendo ampliado com a implantação do Data Center da empresa ByteDance, controladora do TikTok, no Complexo do Pecém, em parceria com a Omnia e a Casa dos Ventos, cujo megainvestimento atingirá US$ 37 bilhões em 20 anos, 54% dos quais internalizados até 2035.

O investimento chinês será o maior da nossa história econômica, superando em 6,8 vezes o valor da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP). Como comparação, o PIB do Ceará foi de US$ 45,5 bilhões em 2024. Assistimos, pois, a uma virada. Parabéns ao governo estadual e às entidades empresariais (Fiec, Faec) e agentes de fomento (Sebrae-CE, Universidades e outros) pela preparação do Ceará para receber investimentos globais em setores da Nova Economia e assim superar as limitações estruturais para expandir a formação bruta de capital fixo. Para frente, Ceará!

Compartilhar este artigo
Nenhum comentário