Kennedy Center reage a cancelamento de músico após inclusão do nome de Trump no prédio

Presidente da instituição ameaça pedir indenização milionária e decisão reacende debate legal sobre mudança de nome do memorial.

A nova placa, com o nome do Centro Memorial Donald J. Trump e John F. Kennedy para as Artes Cênicas, foi inaugurada no Kennedy Center na sexta-feira, 19 de dezembro de 2025, em Washington. Jacquelyn Martin/AP

O presidente do Kennedy Center, Richard Grenell, criticou duramente, nesta sexta-feira (26), a decisão do músico Chuck Redd de cancelar, de última hora, uma apresentação prevista para a véspera de Natal, poucos dias depois de a Casa Branca anunciar que o nome do presidente Donald Trump seria adicionado ao prédio da instituição cultural.

Em carta enviada a Redd e compartilhada com a Associated Press, Grenell afirmou que o cancelamento foi motivado explicitamente pela mudança de nome do centro e classificou a atitude como um “exemplo clássico de intolerância”, além de gerar prejuízos significativos a uma instituição artística sem fins lucrativos.

“Sua decisão de desistir no último momento — explicitamente em resposta à recente mudança de nome do Centro, que homenageia os esforços extraordinários do presidente Trump para salvar esse tesouro nacional — é um exemplo clássico de intolerância e muito custosa para uma instituição artística sem fins lucrativos”, escreveu Grenell.

Na correspondência, o dirigente afirmou ainda que pretende buscar uma indenização de US$ 1 milhão, classificando o episódio como uma “manobra política”. Até o momento, Chuck Redd não respondeu ao pedido de comentário sobre a ameaça de ação financeira.

Baterista e vibrafonista, Redd comandava desde 2006 as tradicionais “Jazz Jams” de fim de ano no Kennedy Center, sucedendo o baixista William “Keter” Betts. Em e-mail enviado à AP na quarta-feira, o músico afirmou que decidiu cancelar a apresentação após tomar conhecimento da alteração no nome da instituição.

“Quando vi a mudança de nome no site do Kennedy Center e, horas depois, no próprio prédio, decidi cancelar nosso concerto”, afirmou Redd. Segundo ele, o evento se tornou uma tradição de fim de ano muito popular e frequentemente contava com a participação de pelo menos um estudante de música.

“Esse é um dos muitos motivos pelos quais foi muito triste ter que cancelar”, disse o músico à Associated Press.

O Kennedy Center foi criado como um memorial vivo em homenagem ao presidente John F. Kennedy, assassinado em 1963. No ano seguinte, o Congresso dos Estados Unidos aprovou uma lei que oficializou o nome da instituição.

Aliado de Donald Trump, Richard Grenell foi escolhido pelo presidente para comandar o Kennedy Center após a saída da gestão anterior. De acordo com a Casa Branca, o conselho de curadores indicado por Trump aprovou a inclusão do nome do presidente no prédio — decisão que, segundo especialistas, viola a legislação vigente.

Kerry Kennedy, sobrinha de John F. Kennedy, declarou que pretende remover o nome de Trump do edifício assim que ele deixar o cargo. Já o ex-historiador da Câmara dos Representantes, Ray Smock, está entre os que afirmam que qualquer mudança desse tipo só poderia ocorrer com aprovação do Congresso.

A legislação federal proíbe explicitamente o conselho de curadores de transformar o Kennedy Center em memorial para qualquer outra pessoa ou de incluir o nome de terceiros na parte externa do prédio.

Com informações da Associated Press (AP).

Compartilhar este artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *