O município de Aracati, no Litoral Leste do Ceará, registrou em 2026 o janeiro mais seco das últimas duas décadas, segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Ao longo do primeiro mês do ano, o acumulado de chuvas foi de apenas 7,7 milímetros, volume muito abaixo da média histórica de 89,2 mm para o período.
O resultado representa um desvio negativo de 91,4 mm, indicando um cenário atípico para um mês que costuma marcar o início mais regular da quadra chuvosa no Ceará. Em toda a série analisada, o desempenho de 2026 só não foi inferior ao de janeiro de 2006, quando nenhum milímetro de chuva foi registrado no município.
Comparativo histórico
O levantamento da Funceme também evidencia os extremos observados ao longo das últimas duas décadas. O janeiro mais chuvoso do período ocorreu em 2011, quando Aracati acumulou 362,5 mm de precipitação, um desvio positivo de 306,2 mm em relação à média climatológica. O contraste entre os dados reforça a irregularidade das chuvas e a variabilidade climática que afetam a região.
Calor intenso e desconforto térmico
Além da escassez de precipitações, janeiro de 2026 foi marcado por temperaturas elevadas e forte sensação de calor. Em diversos dias, a sensação térmica se aproximou dos 38 °C, sobretudo no período da tarde. Moradores relataram tempo abafado, noites com pouco vento e calor persistente até a madrugada, aumentando o desconforto térmico e a demanda por água e energia elétrica.
Impactos e alerta
A combinação entre chuvas escassas e calor intenso acende um alerta para possíveis impactos nas áreas urbana e rural, com reflexos no abastecimento hídrico, na agricultura e na vegetação local. Especialistas ressaltam que um único mês não define o comportamento de toda a quadra chuvosa, mas os números reforçam a necessidade de monitoramento constante das condições climáticas e do uso racional da água.
A Funceme segue acompanhando a evolução das chuvas no Ceará e orienta a população a acompanhar as atualizações meteorológicas, sobretudo em um contexto de eventos extremos cada vez mais frequentes no semiárido nordestino.
