Mesmo com legislações estaduais e municipais que buscam reduzir o impacto dos fogos de artifício barulhentos, o barulho da virada do ano ainda provoca medo e estresse em cães e gatos. O problema é recorrente no Ceará e exige atenção dos tutores para evitar fugas, acidentes e reações de pânico nos pets.
No município de Fortaleza, por exemplo, a Lei Municipal nº 11.140/2021 proíbe a utilização de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos que gerem estampido ou barulho — permitindo apenas fogos silenciosos com efeito visual — com multas previstas para quem descumprir a regra.
Além disso, no âmbito estadual há propostas em tramitação para proibir no Ceará a fabricação, comercialização e uso de fogos com estampido, reforçando a intenção de ampliar a proteção contra a poluição sonora causada por fogos de artifício.
Outra iniciativa recente é a Lei Estadual nº 19.222/2025, que institui, nas escolas da rede pública estadual, uma campanha de conscientização e combate ao uso de fogos que causem poluição sonora, com foco em sensibilizar alunos e comunidade sobre os malefícios dos fogos barulhentos.
O que dizem os especialistas
Veterinários especializados em comportamento animal explicam que o sistema auditivo dos cães e gatos é muito mais sensível do que o dos humanos. “Os fogos são interpretados como perigo real, ativando respostas intensas de medo e estresse”, alertam.
Sinais de medo em pets
Durante queima de fogos, os animais podem apresentar:
- Tremores e respiração acelerada
- Latidos ou miados excessivos
- Tentativas de fuga ou esconderijo
- Salivação intensa
- Comportamento agressivo ou apático
Em situações graves, o estresse pode resultar em quedas, fugas e até complicações cardíacas.
Dicas para reduzir o impacto dos fogos
Especialistas indicam medidas práticas que ajudam a minimizar o sofrimento dos cães e gatos durante o Réveillon:
- Ambiente seguro: mantenha portas e janelas fechadas e crie um espaço silencioso para o pet.
- Abafamento do som: ligue TV ou rádio para mascarar ruídos externos.
- Respeito ao comportamento: não force o animal a sair do local em que se sente seguro.
- Rotina e calma: agir com tranquilidade transmite segurança ao animal.
- Identificação: use coleira com identificação e considere microchip para o pet, caso ele fuja.
Medicamentos só com orientação veterinária
O uso de calmantes ou sedativos só deve ser feito com prescrição profissional, pois a automedicação pode ser perigosa. Em alguns casos, tratamentos preventivos ou feromônios sintéticos são recomendados com antecedência.
Desafios na fiscalização
Apesar das leis, a fiscalização ainda enfrenta dificuldades. Em Fortaleza, por exemplo, registros mostram que a aplicação de multas por uso de fogos barulhentos é baixa, o que indica um desafio na efetividade das normas.
Enquanto a conscientização e o cumprimento das leis avançam, a orientação dos especialistas é clara: prevenção e cuidados pontuais no ambiente doméstico podem fazer grande diferença para o bem-estar dos pets nesta virada de ano.
