Há um instante curioso entre o ano velho e o ano novo. Não dura mais que alguns segundos, mas carrega o peso de doze meses inteiros. É quando o relógio hesita, o coração acelera e a gente, quase sem perceber, faz um balanço silencioso da própria vida. Nesse intervalo invisível, o que foi se despede e o que será ensaia o primeiro passo.
O ano velho vai embora cansado. Traz marcas, aprendizados, cicatrizes e também pequenas vitórias que, às vezes, só reconhecemos quando ele já está de malas prontas. Ele não sai em silêncio: deixa ecos, memórias, risos, despedidas. E nos lembra que sobrevivemos. Mesmo quando foi difícil, seguimos. Mesmo quando doeu, aprendemos.
O ano novo chega leve, quase tímido, mas cheio de promessas. Não garante nada, é verdade, mas oferece possibilidades. Vem carregado de expectativas, de listas mentais, de desejos que não ousamos dizer em voz alta. É nesse momento que as energias parecem se reorganizar, como se o universo respirasse fundo junto com a gente, pronto para recomeçar.
Há quem acredite em vibrações, em ciclos, em portas que se fecham para que outras se abram. Há quem apenas sinta. E sentir já basta. Porque a transição do ano não é só no calendário: é interna. É o momento em que decidimos, ainda que sem palavras, o que queremos levar adiante e o que precisa ficar para trás.
Abundância, afinal, não é só dinheiro ou conquistas visíveis. É tempo de qualidade, é paz nos dias comuns, é saúde para viver os planos, é coragem para mudar o que não faz mais sentido. Felicidade, muitas vezes, é simples: estar presente, reconhecer o agora, agradecer pelo que veio e confiar no que virá.
Quando o ano novo começa, ele não pede perfeição. Pede intenção. Pede foco. Pede um olhar mais gentil para si mesmo e para o outro. E talvez seja isso que torna essa passagem tão especial: a chance de reescrever a própria história, nem que seja em pequenos parágrafos diários.
Que o novo ano chegue com leveza. Que as energias se alinhem, que as vibrações sejam de esperança e que os sonhos encontrem terreno fértil. Porque, no fundo, todo ano novo é isso: uma nova chance de ser feliz — do nosso jeito, no nosso tempo.
