A secretária municipal de Cultura de Fortaleza, Helena Barbosa, destacou o impacto positivo do investimento público no Ciclo Carnavalesco para a economia da capital cearense. De acordo com a gestora, uma pesquisa realizada em 2025 apontou que, para cada R$ 1 investido pela Prefeitura de Fortaleza, houve um retorno de R$ 6 para a economia local.
A declaração foi feita na segunda-feira (2), durante a abertura dos trabalhos do ano legislativo da Câmara Municipal de Fortaleza. Segundo Helena Barbosa, a tendência é que esse impacto seja ainda maior neste ano, em razão da ampliação do número de polos do Carnaval na cidade.
“Esse resultado foi alcançado em um cenário com 21 palcos. Agora, estamos com 25 palcos, e a cidade já compreendeu o processo de descentralização do Carnaval. O público está maior, e isso indica que o reflexo econômico pode superar o do ano passado”, afirmou.
A secretária citou como exemplo o último fim de semana do pré-Carnaval, que reuniu atrações como O Kannalha, BaianaSystem e Baqueta Clube de Ritmistas no Aterrinho da Praia de Iracema, além da realização de 54 apresentações de 30 blocos distribuídas por diferentes bairros de Fortaleza.
“O que a gente viu foi uma movimentação muito intensa. Os ambulantes vendiam tudo rapidamente, e isso não aconteceu apenas na Praia de Iracema. À medida que circulamos pelos outros territórios, o sentimento foi o mesmo”, relatou. Para a gestora, o reconhecimento dos empreendedores é “um termômetro importante” do sucesso da política cultural.
“Esse retorno reforça o entendimento de que cultura não é gasto, é investimento. O recurso volta para a cidade, fortalece a economia e amplia a circulação de renda. Estamos surpresos positivamente com o alcance e, sobretudo, felizes com essa conquista”, acrescentou.
Helena Barbosa informou ainda que o planejamento do Carnaval de Fortaleza envolve uma série de reuniões com diferentes órgãos da Prefeitura de Fortaleza, com o objetivo de estruturar o plano operacional da festa.
Cachês e fortalecimento da cena local
Questionada sobre os cachês pagos a artistas contratados para o Carnaval — tema que tem gerado debates entre prefeitos cearenses — a secretária afirmou que a discussão ocorre em âmbito nacional. Segundo ela, a gestão municipal busca equilíbrio para preservar o orçamento da Cultura.
“Se há um cachê mais elevado, fazemos ajustes em outros contratos para não comprometer o orçamento. Nossa prioridade é o investimento no fortalecimento da cena local”, explicou.
A gestora destacou que esse fortalecimento vai além da contratação de artistas. “Houve um aumento de até 36% no número de artistas, resultado de um fórum de Carnaval. Além disso, existe toda uma rede de trabalhadores da Cultura envolvida: técnicos, produtores, roadies e fornecedores”, detalhou.
Helena Barbosa ressaltou que, embora os cachês de maior valor costumem concentrar a atenção, há investimentos significativos na estrutura necessária para viabilizar os espetáculos. “O artista é o grande produto, mas ele não se apresenta sozinho. Existe toda uma cadeia produtiva por trás”, afirmou.
Identidade do Carnaval de Fortaleza
Ao falar sobre a identidade do Carnaval da capital, a secretária destacou a pluralidade como marca da festa. Segundo ela, a política cultural do município busca refletir a diversidade de territórios, pessoas e ritmos da cidade.
“Quando falamos em democratizar a cultura, precisamos pensar em um plano de ação que represente esses territórios, esses corpos e esses ritmos. A descentralização é uma grande conquista, mas a nossa marca também é mostrar que existem várias Fortalezas dentro de uma mesma cidade”, concluiu.
