Brigitte Bardot, icônica atriz e ativista francesa, morre aos 91 anos

Ícone do cinema francês dos anos 1960, atriz virou ativista dos direitos dos animais e figura controversa na política.

A atriz francesa Brigitte Bardot posa com um enorme sombrero que trouxe do México, ao chegar ao Aeroporto de Orly em Paris, França, em 27 de maio de 1965. AP/Arquivo.

Brigitte Bardot, ícone do cinema francês dos anos 1960 e uma das maiores musas do século XX, morreu aos 91 anos. A atriz, que mais tarde se reinventou como militante pelos direitos dos animais e se tornou uma figura controversa por declarações políticas alinhadas à extrema-direita, faleceu no domingo em sua casa no sul da França.

A informação foi confirmada por Bruno Jacquelin, da Fundação Brigitte Bardot para a Proteção dos Animais. Em declaração à Associated Press, ele não informou a causa da morte e disse que ainda não havia detalhes sobre funeral ou cerimônias de homenagem. Bardot havia sido hospitalizada no mês passado.

A fama internacional veio em 1956, com o filme E Deus Criou a Mulher, dirigido por seu então marido, Roger Vadim. No papel de uma jovem noiva sensualizada, Bardot causou escândalo e ajudou a redefinir padrões de comportamento e sexualidade no cinema da época. As cenas provocantes, incluindo danças sobre mesas, transformaram a atriz em símbolo de uma França que rompia com a moral burguesa do pós-guerra.

Ao longo de uma carreira que reuniu mais de duas dezenas de filmes e três casamentos, Bardot consolidou-se como um fenômeno cultural. Cabelos loiros despenteados, figura voluptuosa e atitude irreverente fizeram dela uma das mulheres mais reconhecidas do país, mesmo enquanto enfrentava episódios de depressão.

Em 1969, seu rosto foi escolhido como modelo para Marianne, o emblema nacional da França, passando a estampar estátuas, selos e moedas. “Estamos de luto por uma lenda”, escreveu o presidente francês Emmanuel Macron em uma publicação no LinkedIn.

A partir da década de 1970, Bardot iniciou uma segunda carreira igualmente marcante como defensora dos direitos dos animais. Viajou ao Ártico para denunciar a caça a filhotes de foca, condenou testes laboratoriais e criticou práticas tradicionais de abate. “O homem é um predador insaciável”, disse à AP em 2007. “Não me importo com a minha glória passada diante do sofrimento de um animal.”

O ativismo lhe rendeu reconhecimento institucional: em 1985, foi condecorada com a Legião de Honra, a mais alta distinção da França. Com o tempo, porém, suas posições passaram a gerar forte rejeição pública. Bardot adotou discursos contra a imigração, especialmente de muçulmanos, e foi condenada e multada cinco vezes por incitação ao ódio racial, em processos ligados à sua oposição ao abate ritual.

Sua guinada política ganhou força após o casamento, em 1992, com Bernard d’Ormale, ex-conselheiro de Jean-Marie Le Pen, líder histórico da extrema-direita francesa. Em 2012, Bardot apoiou a candidatura presidencial de Marine Le Pen, que prestou homenagem à atriz no domingo, descrevendo-a como uma “mulher excepcional” e “incrivelmente francesa”.

Em 2018, durante o auge do movimento #MeToo, Bardot voltou ao centro das polêmicas ao afirmar que muitas denúncias de assédio em Hollywood eram “hipócritas”. Disse nunca ter sido vítima e classificou elogios físicos como “encantadores”.

Nascida em Paris em 28 de setembro de 1934, Brigitte Anne-Marie Bardot era filha de um industrial rico. Estudou balé clássico e foi descoberta ainda adolescente, ao estampar a capa da revista Elle aos 14 anos. Apesar da criação privilegiada, descreveu a infância como “difícil” e relatou disciplina rígida imposta pelo pai.

Vadim percebeu seu potencial e escreveu E Deus Criou a Mulher para explorar a combinação de inocência juvenil e sexualidade crua que marcaria sua imagem pública. O filme influenciou cineastas da Nouvelle Vague, como Jean-Luc Godard e François Truffaut, e tornou-se símbolo do hedonismo dos anos 1960.

Embora celebrada, Bardot nunca se sentiu confortável com a fama. Disse que a pressão da mídia contribuiu para tentativas de suicídio e para uma relação distante com o único filho, Nicolas, fruto do casamento com o ator Jacques Charrier. Em sua autobiografia Initiales BB (1996), relatou depressão crônica e conflitos pessoais.

Entre seus filmes mais conhecidos estão Um Parisiense (1957), Em Caso de Infortúnio (1958), A Verdade (1960), Vida Privada (1962), O Desprezo (1963) — este último aclamado pela crítica —, além de produções até o início da década de 1970. Aos 39 anos, em 1973, aposentou-se do cinema e passou a viver reclusa em Saint-Tropez.

Na meia-idade, vendeu joias e objetos de cena para financiar a fundação que leva seu nome e se dedicou integralmente à causa animal, pressionando governos e atacando tradições esportivas e culturais que considerava cruéis. “Os animais deste mundo perderam uma amiga maravilhosa”, afirmou o ativista ambiental Paul Watson, parceiro de campanhas por décadas.

Bardot dizia identificar-se com os animais que defendia. “Consigo entender os animais caçados pela forma como fui tratada”, afirmou à AP. “Eu estava constantemente cercada pela imprensa mundial.”

Com informações da Associated Press (AP).

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