Quando Maria Raimunda Dias começou a fazer crochê e bordado, em 2008, não imaginava que o artesanato se tornaria seu principal meio de sustento. Após um acidente de trabalho, foi no fazer manual que ela encontrou uma forma de recomeçar. Histórias como a dela se repetem em Aracati e em outros municípios cearenses, onde a Central de Artesanato do Ceará (CeArt) esteve para realizar os testes de habilidades e garantir o acesso à Identidade Artesanal.
Coordenada pela Secretaria da Proteção Social (SPS), a CeArt percorreu o litoral de Aracati, com ações em Canoa Quebrada e Majorlândia, como parte da política de descentralização dos atendimentos. A iniciativa facilita o acesso de artesãs e artesãos aos serviços públicos, ampliando o reconhecimento profissional, o acesso a direitos, políticas públicas e oportunidades de geração de renda.
A Identidade Artesanal é um documento oficial que permite ao profissional participar de feiras e eventos institucionais, acessar capacitações, concorrer a editais do setor e obter isenção fiscal. Em 2025, o Ceará emitiu 4.168 carteiras de artesão, em um esforço que consolida a atividade como pilar econômico e cultural. Para descentralizar o acesso aos serviços, ações de ampliação alcançaram 108 municípios cearenses.
Maria Raimunda, uma das artesãs atendidas em Aracati, destaca a importância da iniciativa para sua rotina de trabalho. “Chegou no momento mais difícil da minha vida. O artesanato me salvou. Saí da depressão, recuperei minha autoestima e hoje vivo disso”, relata.
Um dos espaços que recebeu a equipe da CeArt foi a Associação Canoa Mulher, referência na formação de mulheres artesãs. Atualmente, a associação atende cerca de 60 mulheres, com oficinas semanais de crochê, pintura, bordado, costura criativa e macramê, além da participação em feiras locais e regionais. Para Alzenir Sousa, integrante da diretoria, o artesanato cumpre também uma função social. “Aqui é um espaço de convivência. Para muitas mulheres, é um dos poucos momentos de lazer da semana. Além disso, elas aprendem uma profissão e conseguem gerar renda”, explica.
A bordadeira Elisângela da Silva participa da associação há quase dois anos. Sem experiência anterior, ela aprendeu a bordar no espaço e hoje se dedica ao bordado livre. “Eu achava que não era capaz. Hoje, cada peça que faço me mostra que eu consigo aprender e produzir”, conta.
Os testes de habilidade também contemplaram técnicas tradicionais do litoral cearense, como os desenhos com areia colorida em garrafa. Carlos Eduardo, que atua há mais de 15 anos na área, celebrou a conquista da carteira. “Eu queria tirar essa carteira há muito tempo. Agora posso participar de eventos e apresentar meu trabalho com mais segurança”, afirma.
Tradição e saberes do labirinto
No labirinto, técnica artesanal tradicional da região, as histórias de vida se misturam ao próprio fazer manual. Aos 79 anos, Maria do Rosário segue produzindo diariamente. “Se eu parar, eu não me sinto bem. O labirinto faz parte da minha vida”, diz.
Reconhecida como mestra da cultura, Maria Biatriz é referência para outras labirinteiras da região. Além de produzir, ela orienta e acompanha o trabalho de outras artesãs, contribuindo para a continuidade da técnica. “O artesanato representa trabalho, autonomia e identidade, além de ser uma forma de manter viva uma tradição aprendida ainda na infância”, destaca.
Para Ticiane Gomes, orientadora da Célula de Produção Artesanal da CeArt, o atendimento nos territórios fortalece o setor. “Quando a CeArt vem até os artesãos, facilita o acesso aos serviços e reconhece saberes que muitas vezes ficam invisíveis. O teste de habilidade é um momento de escuta e de valorização do trabalho artesanal”, afirma.
Os artesãos cearenses que desejam obter a Identidade Artesanal também contam com atendimento remoto, por videochamada, oferecido pela Central de Artesanato do Ceará. Para o atendimento presencial, os interessados podem se dirigir às unidades da CeArt em Fortaleza e Juazeiro do Norte, no setor de produção artesanal.
Como obter a Identidade Artesanal
Serviço
Opções de atendimento:
- Presencial: Unidades da CeArt em Fortaleza e Juazeiro do Norte (setor de produção artesanal).
- Remoto (videochamada): WhatsApp (85) 98838-4618.
Documentos necessários:
- Documento de identificação com foto
- CPF
- Comprovante de residência atualizado
- Uma peça artesanal pronta e o material para o teste de habilidade





