Quem é folião em Fortaleza sabe: basta o Carnaval se aproximar para surgir a pergunta inevitável — onde vai ter festa, em que dia e a que horas? Em 2026, além das páginas do jornal, duas novas iniciativas, uma pública e outra independente, prometem facilitar o planejamento de quem quer aproveitar a folia na capital cearense.
No campo da política pública, a Prefeitura de Fortaleza lançou, na última quarta-feira (21), o aplicativo Farol da Cultura. Desenvolvida pela Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor) em parceria com o Instituto Cultural Iracema (ICI), a ferramenta reúne funcionalidades voltadas a todo o Ciclo Carnavalesco 2026, que inclui o pré-carnaval e o período oficial da festa.
Entre os recursos disponíveis, está a indicação de eventos por geolocalização, permitindo que o folião descubra blocos e shows próximos de onde se encontra, considerando as 12 regionais da Capital. Também é possível buscar atrações específicas por artista ou atividade. Ao favoritar nomes, o usuário cria uma agenda própria, com o roteiro da folia organizado.
Secretária da Cultura de Fortaleza, Helena Barbosa destaca as diferenças entre o aplicativo e uma simples planilha de programação. “Primeiro que o aplicativo está na palma da mão. E, nele, você pode abrir por regional e saber o que está acontecendo ali ou em outra para onde quer ir. Marca lá com um coraçãozinho e gera uma programação personalizada”, explica.
Para a gestora, agilidade é palavra-chave, aliada a uma estética dinâmica e a uma visão mais ampla da cidade. “Quem vive na cidade sabe que isso é uma demanda. Criamos muito no objetivo de incentivar o itinerário da folia de cada cidadão de Fortaleza que mergulha nisso e que gosta”, afirma.
Segundo Helena, embora toda a programação do Ciclo Carnavalesco da Prefeitura já esteja fechada, eventuais alterações serão atualizadas em tempo real no aplicativo. Outro diferencial é a acessibilidade: o Farol da Cultura conta com recursos para pessoas com deficiência visual e está disponível gratuitamente para download no Google Play (Android) e na App Store (iOS).
Para além do Carnaval
Esta é a estreia do Farol da Cultura no Carnaval de Fortaleza. Caso a ferramenta se consolide, a perspectiva é que ela seja expandida para outras datas importantes do calendário da cidade, como festas juninas e o aniversário da Capital.
O movimento dialoga com a meta da atual gestão da Secretaria Municipal da Cultura de descentralizar ações e atividades, especialmente em um Ciclo Carnavalesco que ampliou o número de polos e levou a programação a áreas mais distantes do Centro.
“Quando estamos dispostos a construir uma política de descentralização, precisamos focar em estratégias como essa”, afirma Helena Barbosa. “Descentralização não envolve só grandes palcos. Descentralizar é também contribuir para uma política pública de cultura mais democrática. Gestão e público precisam enxergar Fortaleza na totalidade dela. Quando coloco a cidade num aplicativo e tenho como categorias de escolha as 12 regionais, é muito bacana. Nossos discursos, práticas e ações precisam ter esse destino: estarem espalhados.”
‘Zap’ da folia
Da política pública à iniciativa independente. Foliões assíduos do Carnaval de Fortaleza desde a infância, a arquiteta e servidora pública Luana Duarte e o namorado, Timóteo Jorge, formado em Ciência da Computação, decidiram criar juntos uma solução para facilitar o acesso às programações do pré-carnaval da capital.
“O chatbot ‘Zap da Folia’ surgiu da dificuldade de acompanhar a programação. Muita coisa acontece na cidade, a agenda sai em diferentes canais e tem sido difícil acompanhar a velocidade. A ideia é o folião não precisar ir a várias fontes diferentes para se informar”, explica o casal.
Com linguagem intuitiva, a ferramenta responde a comandos como localização, data ou shows, ajudando o usuário a decidir para onde ir. Diferentemente do aplicativo da Prefeitura, o Zap da Folia reúne tanto eventos públicos quanto privados, incluindo programação infantil.
Criado em 11 de janeiro, o chatbot já soma mais de 200 acessos. A intenção dos criadores é dar continuidade ao projeto, mas isso dependerá da avaliação do tempo necessário para a curadoria das informações. “O São João de Maracanaú está bem aí, com várias programações em toda a cidade. Vamos avaliar”, diz Luana.
Entre aplicativos oficiais e soluções criadas por foliões, Fortaleza entra em 2026 com mais ferramentas para transformar a pergunta clássica do Carnaval — “onde vai ter festa?” — em roteiro pronto na palma da mão.
