A lenda da Serpente Gigante é uma das narrativas mais conhecidas entre os cascavelenses. A história remonta ao período em que comerciantes e comboieiros, montados a cavalo, cruzavam a região em direção a Fortaleza ou Aracati, importantes centros do litoral cearense.
Durante as longas viagens, os viajantes paravam para descanso à sombra das árvores. O repouso, porém, era frequentemente interrompido pelo som característico do chocalho das cobras cascavéis, abundantes na área. Escondidas sob folhas secas de cajueiros às margens das trilhas abertas, as serpentes tornaram-se marca constante do território.
Segundo os relatos transmitidos entre gerações, a grande quantidade de cascavéis levou os mercadores a identificar o local simplesmente como “Cascavel”.
🚪 A porteira chamada cascavel
Outra versão preservada pela memória popular aponta para uma explicação diferente. Alguns narradores afirmam que havia, na entrada do sítio que deu origem à cidade, uma “cascavel” — termo utilizado para designar uma porteira rústica formada por dois mourões fincados no chão e estacas horizontais encaixadas entre eles.
Comboieiros e viajantes teriam passado a se referir ao local como a “passagem da cascavel”. O nome acabou consolidando-se como referência geográfica da região.
⛪ O nome São Bento
O nome “Cascavel”, associado a uma cobra venenosa, causava desagrado em parte da população. A solução encontrada foi adotar o nome de São Bento, santo tradicionalmente invocado como protetor contra picadas de serpentes.
Durante determinado período, o município foi oficialmente chamado São Bento. A mudança, contudo, não se manteve, e o nome Cascavel voltou a prevalecer.
🐍 A serpente sob a cidade
A tradição oral ainda preserva a narrativa de uma grande serpente escondida sob o território da cidade. Algumas versões indicam que ela repousa sob o monumento dedicado a Nossa Senhora do Ó. Outras afirmam que está sob o piso da Igreja Matriz.
Conta-se que a serpente cresce cerca de três palmos cada vez que se pronuncia a palavra “Cascavel” e diminui um palmo quando se diz “São Bento”. Após tantos anos de uso do nome atual, imagina-se que a cobra esteja de proporções gigantescas. Quando não houver mais espaço para seu crescimento, ela sairá do subterrâneo e causará enormes danos.
Ainda hoje, há quem percorra as ruas da cidade repetindo em voz baixa:
“São Bento… São Bento… São Bento…”
📚 Referência
Sousa, Airton Dias de. A Serpente Gigante. In: A Serra da Mataquiri, o Rio Malcozinhado e Outras Histórias. 2. ed. Fortaleza: Premius, 2018, p. 50-52.
Ilustração: Wescley Barros Borges – Colorização: Hugo Cavalcante.



