Amor na serra
Conta a tradição que, há muito tempo, em uma serra distante, vivia uma jovem índia de extraordinária beleza. Seu coração, porém, pertencia a apenas um homem: um jovem guerreiro valente e corajoso.
O amor entre os dois era profundo. Passavam horas admirando o horizonte, contando estrelas sob o céu noturno e celebrando o sentimento que os unia à luz da Lua.
🐍 A inveja de Boiaçu
A felicidade dos jovens despertou a inveja de Boiaçu, um gênio do mal que assumia a forma de uma grande cobra.
Transformando-se em velho pajé, ele semeou desconfiança entre duas tribos, espalhando a falsa notícia de que uma preparava guerra contra a outra. A intriga levou os guerreiros ao confronto.
⚔️ A perda
O jovem guerreiro lutou bravamente, mas Boiaçu, incapaz de vencê-lo em combate, assumiu a forma de serpente venenosa e o atacou enquanto dormia.
Na aldeia, a jovem aguardava o retorno do amado. Quando os guerreiros voltaram sem ele, a notícia da morte trouxe desespero.
🌊 O nascimento do Rio Choró
Tomada pela dor, a jovem correu para a floresta e chorou por muitas luas. Suas lágrimas foram tantas que deram origem a um rio.
Assim nasceu o Rio Choró.
Compadecida, a Lua transformou a jovem em um pássaro – o choró, cujo nome significa murmúrio ou lamento – para que pudesse voar e aliviar sua tristeza.
🎶 O canto que permanece
Diz a tradição que, nas margens do Rio Choró, ainda se ouve o canto melancólico do pássaro. E quando o rio enche em tempo de cheias, é a jovem chorando a dor da perda de seu grande amor.
📚 Referência
Almeida, Milson. O Rio Choró. In: A Serra da Mataquiri, o Rio Malcozinhado e Outras Histórias. 2. ed. Fortaleza: Premius, 2018, p. 55-56.
Ilustração: Wescley Barros Borges – Colorização: Hugo Cavalcante.



