🌌 Estradas de terra e comboios
Antes das rodovias, o transporte era feito por jumentos, burros, mulas e cavalos. Comboios atravessavam o interior carregando alimentos, bebidas e encomendas. As viagens duravam dias. As noites representavam risco constante.
Em Cascavel, não era diferente. Comboieiros percorriam longas distâncias enfrentando chuva, escuridão e o desconhecido.
🍶 A viagem da cachaça
Um homem conduzia pequeno comboio vindo das estradas do Choró. Quatro animais carregavam ancoretas de cachaça. O destino era o Coaçu, localidade próxima às Pedrinhas.
Chegou à bodega já noite fechada. O proprietário pagou a entrega e ofereceu pouso até o amanhecer. O comboieiro recusou. Preferiu retornar imediatamente.
🌫 A aparição
No trecho deserto da estrada, avistou uma pessoa caminhando na direção contrária. A figura desapareceu. Pouco depois, surgiu novamente. Tornou a sumir.
Os animais se inquietaram.
Mais adiante, a visão reapareceu à sua frente. Alta, rosto coberto por cabelos, roupa longa e clara. Silenciosa.
O cavalo disparou mata adentro. O comboieiro nunca mais quis percorrer aquele caminho.
🌊 Testemunhos do Alagamar
Pescadores vindos do Alagamar e viajantes que cruzavam a região relataram encontros semelhantes. A visagem surgia sorrateira ou seguia os passantes na escuridão.
A identidade da assombração nunca foi esclarecida. O temor permanece. Ainda hoje há quem evite passar sozinho pelo Coaçu durante a noite.
🌒 Patrimônio do imaginário noturno
A Visagem do Coaçu integra o repertório de narrativas de estrada do interior de Cascavel. A lenda preserva memórias de um tempo sem iluminação elétrica, quando o medo e a superstição caminhavam lado a lado com os viajantes.
📚 Referência
Dias, Airton. A Visagem do Coaçu. In: A Serra da Mataquiri, o Rio Malcozinhado e Outras Histórias. 2. ed. Fortaleza: Premius, 2018, p. 13-14.
Ilustração: Wescley Barros Borges – Colorização: Hugo Cavalcante.



