O monte sagrado da paisagem cascavelense
A Serra da Mataquiri integra o imaginário histórico de Cascavel. A tradição oral preserva a narrativa de um tempo antigo, quando indígenas habitavam a região em harmonia com a natureza.
Após a Missa dominical na Igreja Matriz, cenário também ligado à lenda da Serpente Gigante, surge o relato da serra. A história conecta território, ancestralidade e ensinamento.
🏹 A primeira caçada de Quiri
Em uma das tribos que viviam na região, morava um curumim chamado Quiri. O pai orientou o menino e seu irmão mais velho a saírem para caçar apenas o necessário para a alimentação do dia. O mais velho deveria ensinar ao pequeno as lições da caça.
Os dois atravessaram o Rio Malcozinhado em canoa. Subiram suas águas calmas até alcançar o grande monte. Cortaram a mata e chegaram ao alto da serra.
O irmão demonstrou habilidade ao atingir um peba com flecha certeira. Quiri avistou um jacu entre as folhagens. No mesmo instante, perceberam a presença de uma onça escondida entre os arbustos.
🐆 O grito que virou nome
O jovem guerreiro, tomado pelo susto, gritou ao irmão menor:
– Mata, Quiri! Mata, Quiri!
Quiri lançou a flecha com coragem. A seta passou próxima do animal. A onça fugiu mata adentro.
A valentia do curumim ficou marcada na memória da tribo. O monte passou a ser chamado Serra da Mataquiri, evocando o episódio e perpetuando o grito que ecoou na mata.
🔥 A lição sob a lua
De volta à aldeia, reunidos ao redor da fogueira, o pai ensinou aos filhos que a onça ataca apenas quando se sente ameaçada. A caça deve atender à necessidade, não ao impulso.
A narrativa preserva não apenas a origem simbólica do nome da serra, mas também valores de equilíbrio, respeito à natureza e aprendizado coletivo.
🌿 Patrimônio do imaginário
A Serra da Mataquiri permanece como marco geográfico e simbólico de Cascavel. A lenda reforça a presença indígena na formação histórica da região e integra o acervo de Contos e Lendas do Almanaque da Gazeta.
📚 Referência
Sousa, Airton Dias de. A Serra da Mataquiri. In: A Serra da Mataquiri, o Rio Malcozinhado e Outras Histórias. 2. ed. Fortaleza: Premius, 2018, p. 61-63.
Ilustração: Wescley Barros Borges – Colorização: Hugo Cavalcante.



