O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce) integra a rede responsável pelo marco histórico de mil transplantes de medula óssea (TMO) realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Ceará, número alcançado em janeiro de 2026. O resultado representa um avanço na rede pública de saúde do Estado e amplia o acesso a tratamentos de alta complexidade.
Equipamento da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), o Hemoce é, desde a implantação do Serviço de Transplante de Medula Óssea no Estado, em 2008, o único órgão responsável pelo cadastro de doadores voluntários, pela coleta das células-tronco hematopoiéticas e pelo suporte transfusional aos pacientes submetidos ao procedimento.
No Ceará, o transplante pelo SUS é realizado no Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), unidade federal integrante do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Coletas no Brasil e no exterior
Até fevereiro de 2026, foram registradas 168 coletas, sendo 102 destinadas a transplantes no Brasil e 66 para outros países, como Argentina, Estados Unidos, Canadá, Itália, França, Portugal, Holanda, Alemanha, Espanha, Dinamarca, Inglaterra, Turquia e Israel. Os dados consideram o período desde a implantação do serviço no Estado.
Para a diretora-geral do Hemoce, Luany Mesquita, os números refletem tanto o trabalho técnico da instituição quanto o engajamento da população.
“O Hemoce é o único órgão no Ceará responsável pela captação e cadastro de doadores voluntários de medula óssea. É uma grande satisfação ver o nosso estado se destacar como o que possui o maior número de cadastrados no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) entre as regiões Norte e Nordeste. Cada cadastro representa uma nova possibilidade de vida para quem aguarda por um transplante”, afirma.
Desde o início do cadastro de doadores no Ceará, em 2000, mais de 244 mil cearenses já foram inscritos no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), consolidando o Estado como líder em número de voluntários nas regiões Norte e Nordeste.
Como funciona o transplante
A atuação integrada entre Hemoce e HUWC garante segurança e agilidade em todas as etapas do transplante, desde a identificação do doador compatível até o acompanhamento transfusional do paciente.
Após o cadastro no Redome, o voluntário passa a integrar um banco nacional de dados genéticos. Quando há compatibilidade com um paciente, o doador é contatado para confirmar o interesse e realizar exames complementares.
A gerente de Transplantes do Hemoce, Francisca Rodrigues, explica que o potencial doador permanece no cadastro até que seja identificado compatível ou até completar 60 anos.
“Após a confirmação da compatibilidade, todas as etapas seguintes são realizadas no Hemoce, com acompanhamento multiprofissional, incluindo avaliações clínicas, laboratoriais e de imagem. Somente depois dessa confirmação é que a coleta das células-tronco é agendada e realizada”, detalha.
O primeiro transplante de medula óssea na rede pública do Ceará foi realizado em 26 de setembro de 2008, marco que consolidou o serviço no Estado. Atualmente, o Hemoce realiza triagem, testes de compatibilidade e coleta da medula por aférese, além de coletas para transplantes alogênicos não aparentados, beneficiando pacientes de outros estados e países.
Para muitos pacientes, o transplante pode representar a única chance de cura. Quando não há compatibilidade familiar, a busca por um doador é feita por meio do Redome.
Como se tornar doador de medula óssea
Para se cadastrar como doador, é necessário:
- Ter entre 18 e 35 anos;
- Não possuir histórico pessoal de doenças oncológicas;
- Apresentar documento oficial de identidade;
- Fornecer telefones para contato;
- Preencher formulário com dados pessoais;
- Realizar coleta de 5 ml de sangue para testes de compatibilidade.
Quem já é cadastrado deve manter os dados atualizados, especialmente em caso de mudança de endereço ou telefone. A atualização pode ser feita pelo aplicativo do Redome ou em qualquer unidade do Hemoce.
Cada cadastro representa uma possibilidade concreta de salvar vidas e renovar a esperança de pacientes e famílias que aguardam por um transplante.

