Ceará tem quarto menor custo de vida do Brasil, aponta pesquisa

Moradia e alimentação concentram os maiores gastos no orçamento das famílias cearenses.

Gastos com alimentação representam uma das maiores despesas no orçamento das famílias cearenses, segundo pesquisa sobre custo de vida no Brasil. Foto: Fabiane de Paula.

Para arcar com as despesas básicas do dia a dia, os moradores do Ceará têm um custo médio mensal de R$ 2.540 — o quarto menor entre os estados brasileiros. O valor coloca o estado atrás apenas de Alagoas (R$ 2.450), Maranhão (R$ 2.230) e Sergipe (R$ 2.010). No extremo oposto, o Distrito Federal lidera o ranking nacional, com custo médio de R$ 4.920.

Os dados são da pesquisa “Custo de Vida no Brasil”, realizada pelo Serasa em parceria com o instituto Opinion Box. O levantamento ouviu 6.063 brasileiros entre os dias 22 de dezembro e 6 de janeiro.

Segundo o estudo, o Ceará apresenta comportamento semelhante ao restante da Região Nordeste, cuja média mensal é de R$ 2.790. “A região como um todo tem um custo de vida mais baixo, o que acompanha a renda. Onde a renda é maior, o custo de vida também tende a ser mais elevado”, explica Felipe Schepers, COO e cofundador do Opinion Box.

O rendimento mensal domiciliar per capita médio no Ceará é de R$ 1.056, o sexto menor do país, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Custo de vida médio mensal nos estados

Distrito Federal – R$ 4.920
Paraná – R$ 4.300
São Paulo – R$ 4.270
Santa Catarina – R$ 4.180
Tocantins – R$ 3.810
Espírito Santo – R$ 3.780
Roraima – R$ 3.710
Acre – R$ 3.550
Goiás – R$ 3.370
Mato Grosso – R$ 3.360
Minas Gerais – R$ 3.360
Rio Grande do Sul – R$ 3.360
Rio de Janeiro – R$ 3.340
Mato Grosso do Sul – R$ 3.330
Bahia – R$ 3.210
Pará – R$ 3.050
Amazonas – R$ 2.990
Pernambuco – R$ 2.840
Amapá – R$ 2.830
Paraíba – R$ 2.820
Piauí – R$ 2.690
Rio Grande do Norte – R$ 2.550
Ceará – R$ 2.540
Alagoas – R$ 2.450
Maranhão – R$ 2.230
Sergipe – R$ 2.010

Custo de vida por segmento

O levantamento também detalhou os gastos médios por área. No Ceará, a maior despesa é com moradia, incluindo aluguel, condomínio ou financiamento, que soma cerca de R$ 840 — um dos seis menores valores do país.

Na sequência aparece a alimentação, com média de R$ 680. O estado registra o mesmo gasto médio do Piauí e fica atrás apenas do Maranhão entre os 24 entes analisados.

As contas correntes, que englobam água, energia elétrica, internet e serviços de streaming, somam R$ 380, o terceiro menor valor identificado na pesquisa.

Gastos médios no Ceará por segmento:

  • Moradia: R$ 840
  • Alimentação: R$ 680
  • Contas correntes (água, luz, internet, streaming): R$ 380
  • Transporte e mobilidade: R$ 260
  • Saúde e atividade física: R$ 510
  • Educação: R$ 330
  • Alimentação fora de casa: R$ 180
  • Lazer: R$ 240
  • Serviços e cuidados pessoais: R$ 180
  • Compras em geral (calçados, cosméticos etc.): R$ 350

De acordo com Arianderso Melo, técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os custos com moradia e contas básicas têm pressionado cada vez mais o orçamento das famílias de menor renda.

“Em 2025, o nível de preços da habitação cresceu muito além da inflação acumulada no período. Isso impacta principalmente as famílias mais pobres, que destinam uma parcela maior da renda a esse tipo de despesa”, explica.

Segundo o especialista, reduzir gastos essenciais se torna cada vez mais difícil. Para equilibrar o orçamento, muitos acabam cortando despesas com lazer e compras pessoais, o que afeta diretamente a qualidade de vida.

O único segmento com custo acima da média nacional no Ceará é o de serviços e cuidados pessoais. O estado lidera os gastos com serviços de beleza, com média de R$ 180. Ainda assim, a pesquisa aponta que este é o setor com menor variação entre as regiões, todas próximas da média nacional de R$ 150.

Dificuldade de gerenciar o orçamento

O estudo também revela desafios no controle das finanças. Apenas dois em cada dez brasileiros consideram fácil administrar o orçamento mensal, enquanto sete em cada dez afirmam que o custo de vida aumentou nos últimos 12 meses.

As despesas vistas como mais difíceis de manter são compras de supermercado, contas recorrentes e moradia. Mesmo com a disparidade de custos entre os estados, a mudança de cidade não aparece como solução: apenas um em cada dez entrevistados considera se mudar para reduzir despesas.

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