O Ceará realizou, pela primeira vez, a captação de um pulmão no interior do estado. O procedimento ocorreu na última terça-feira (20), no Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), em Quixeramobim, unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). Trata-se da primeira vez que o órgão é captado fora de Fortaleza desde a implantação do transplante pulmonar na rede pública estadual, em 2011.
A ação integrou a primeira captação múltipla de órgãos realizada no Ceará em 2026. Além do pulmão, dois rins foram captados e destinados a transplantes em Fortaleza.
Para viabilizar a operação, foi montada uma grande logística, envolvendo dez profissionais do HRSC, além de quatro médicos e quatro profissionais de Enfermagem da equipe da Central de Transplantes do Estado. O trabalho articulado das equipes foi fundamental para garantir segurança e eficiência em todas as etapas do procedimento.
A operação contou ainda com o apoio de duas aeronaves da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), responsáveis pelo deslocamento das equipes médicas e pelo transporte dos órgãos dentro do tempo adequado para transplante.
Segundo a secretária da Saúde do Ceará, Tania Mara Coelho, a captação pulmonar no interior representa um avanço significativo na descentralização da alta complexidade em saúde, fruto do fortalecimento da rede estadual e da qualificação contínua dos hospitais regionais.
“O Ceará é hoje um dos quatro estados brasileiros que realizam transplante de pulmão na rede pública. A primeira captação desse órgão no interior é reflexo de um trabalho contínuo de territorialização do cuidado, com investimento na qualificação das equipes, na estrutura dos hospitais regionais e na logística integrada da rede”, afirmou.
Somente em 2025, o Hospital Regional do Sertão Central realizou a captação de 71 órgãos. Para o diretor-geral da unidade, Cristiano Rabelo, o feito reflete a maturidade assistencial do hospital e o fortalecimento do trabalho em rede.
“Uma captação dessa complexidade exige estrutura adequada, logística eficiente, protocolos bem definidos e, principalmente, equipes altamente comprometidas. Esse resultado mostra que o hospital está preparado para atuar em procedimentos de alta complexidade e de forma integrada à rede estadual de saúde”, destacou.
O procedimento contou com a participação do cirurgião torácico Israel Medeiros, coordenador do Programa de Transplante Pulmonar do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM). Para ele, a ampliação do programa permitiu expandir as ações para além da capital.
“Com o fortalecimento do programa, passamos a viabilizar captações em outras cidades, garantindo mais oportunidades de transplante e salvando mais vidas”, afirmou.
Toda a operação foi acompanhada pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Cihdott) do HRSC. A comissão atua na unidade desde 2019 e desempenha papel essencial na identificação de potenciais doadores e na articulação entre as equipes envolvidas.
Histórico de transplantes no Ceará
Em 2025, o Ceará realizou 2.097 transplantes de órgãos e tecidos. Entre 2011 e 2025, o Estado transplantou 58 pulmões, alcançando a quarta colocação no ranking nacional desse tipo de procedimento.
Considerado de alta complexidade, o transplante de pulmão é realizado no Brasil apenas por outros três estados: Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.
Como ser doador de órgãos e tecidos
No Brasil, não é necessário deixar nenhum documento formal para ser doador de órgãos. O mais importante é conversar com a família e manifestar esse desejo em vida, pois são os familiares que autorizam a doação.
É possível doar órgãos e tecidos como coração, rins, fígado, pulmões, pâncreas, córneas, ossos e válvulas cardíacas, permitindo que um único gesto beneficie diversos pacientes.
