O Ceará inicia 2026 com 34 municípios em situação de emergência reconhecida pelo Governo Federal, sendo 22 afetados por estiagem e outros 12 por seca. O reconhecimento permite que as prefeituras solicitem recursos da União para ações de proteção e defesa civil.
Os dados constam no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). A portaria mais recente, publicada em 14 de janeiro, confirmou o quadro de estiagem em Itapajé e de seca em Quixeramobim, que passaram a integrar oficialmente a lista.
Ao todo, mais de 1,3 milhão de pessoas são impactadas pelas situações de desastre no Estado. Em oito cidades, a vigência do decreto termina ainda em janeiro. Nas demais, o prazo se estende entre fevereiro e julho de 2026.
Para obter o reconhecimento, técnicos municipais devem anexar no S2iD documentos que comprovem os danos causados pelos desastres. As ocorrências seguem a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (Cobrade), que define:
- Estiagem: período prolongado de baixa ou nenhuma pluviosidade, em que a perda de umidade do solo é superior à sua reposição;
- Seca: estiagem prolongada por tempo suficiente para provocar grave desequilíbrio hidrológico.
Com a condição oficializada, os municípios podem solicitar apoio, acompanhar processos e acessar transferências de recursos federais por meio do sistema do MIDR. Entre as ações previstas estão a compra de cestas básicas, água mineral, refeições para trabalhadores e voluntários, além de kits de limpeza, higiene pessoal e dormitório.
No caso de seca ou estiagem, o reconhecimento também é requisito para a inclusão em programas como a Operação Carro-Pipa. A Defesa Civil Nacional avalia as metas e os valores solicitados nos planos de trabalho. Após a aprovação, uma portaria é publicada no Diário Oficial da União (DOU) com o montante a ser liberado.
Veja as cidades em situação de emergência no Ceará
Estiagem:
Tabuleiro do Norte; Acopiara; Itatira; Pedra Branca; Salitre; Boa Viagem; Deputado Irapuan Pinheiro; Paramoti; Assaré; Catunda; Milhã; Campos Sales; Iracema; Parambu; Ibaretama; Tauá; Alto Santo; Mombaça; Aiuaba; Caucaia; Independência; Itapajé.
Seca:
Quiterianópolis; Saboeiro; Quixadá; Arneiroz; Choró; Piquet Carneiro; Ibicuitinga; Jaguaretama; Morada Nova; Madalena; Potiretama; Quixeramobim.
Seca grave avança no Estado
Dados do Monitor das Secas, ferramenta coordenada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), indicam que mais de 90 municípios cearenses apresentaram seca grave em dezembro de 2025. Em apenas um mês, o número cresceu cerca de 38%.
Em novembro, eram 65 municípios nessa condição, o equivalente a 26,73% do território estadual. No mesmo período, o Ceará já registrava 100% de sua extensão sob condição de seca relativa. O avanço da seca grave reduziu a predominância da seca moderada, que até então abrangia 55,8% do território cearense.
