Pesquisa do Procon Fortaleza aponta variação de até 481% nos preços do material escolar

Levantamento avaliou valores de 49 produtos em papelarias e livrarias entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

O Procon pesquisou itens como, lápis, canetas, pastas, mochilas, cadernos e tesouras. Foto: Divulgação/Procon Fortaleza.

O Departamento Municipal de Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor (Procon Fortaleza) divulgou, nesta quinta-feira (15), uma pesquisa com os principais itens de material escolar vendidos na Capital. O levantamento foi realizado em oito papelarias e livrarias, com análise de preços de 49 produtos, e revelou diferenças expressivas entre os estabelecimentos.

O item com maior variação foi a mochila de tamanho grande, encontrada por valores que vão de R$ 47,60 a R$ 276,90 — uma diferença de 481,72%. A pesquisa foi realizada entre os dias 22 de dezembro de 2025 e 12 de janeiro de 2026, em estabelecimentos localizados nos bairros de Fátima, Benfica, Centro e Presidente Kennedy.

Relatório de pesquisa de material escolar – 2026

Entre os produtos pesquisados estão lápis, canetas, pastas, mochilas, cadernos e tesouras, itens que compõem a lista básica de volta às aulas. Segundo o presidente do Procon Fortaleza, Wellington Sabóia, o objetivo do levantamento é orientar pais e responsáveis no momento da compra.

Produto Menor preço Maior preço Variação
Mochila para costas R$ 47,60 R$ 276,90 481,72%
Caderno 96 folhas R$ 6,49 R$ 26,50 308,32%
Apontador com coletor R$ 0,70 R$ 2,70 285,71%
Tela pintura (20cm x 30cm) R$ 12,45 R$ 33,26 167,15%
Borracha 40 (branca) R$ 0,45 R$ 1,20 166,67%
Caneta Neotip 0.7 R$ 1,50 R$ 3,50 133,33%
Caderno de desenho R$ 10,20 R$ 20,88 104,71%
Lápis de cor (12 cores) R$ 7,35 R$ 14,41 96,05%
Tesoura sem ponta R$ 14,50 R$ 26,94 85,79%
Lápis preto/grafite nº 02 R$ 0,70 R$ 1,20 71,43%

🔎 Destaque: a mochila escolar lidera o ranking, com variação superior a 480%, reforçando a importância de pesquisar antes de comprar e comparar preços entre diferentes lojas.

“A intenção do Procon é disponibilizar preços, com opções de diversas marcas, para que pais e responsáveis realizem seus comparativos e escolham os itens de acordo com sua preferência. A pesquisa também é um instrumento de educação para o consumo, pois pode forçar a redução de preços por parte dos estabelecimentos, já que o consumidor tende a optar por valores mais em conta”, explica.

Operação Material Escolar

Na última terça-feira (6), o Procon iniciou a Operação Material Escolar, com o objetivo de apurar denúncias sobre a inclusão de itens proibidos nas listas solicitadas pelas instituições de ensino. De acordo com a Lei Federal nº 12.886/2013, conhecida como Lei do Material Escolar, as escolas só podem requisitar materiais de uso individual e que tenham relação direta com o plano pedagógico.

Durante as fiscalizações, o órgão já identificou pedidos considerados abusivos, como desinfetante, papel higiênico, sacos plásticos, rodos de espuma, álcool, pasta colecionadora, baldes de praia, copos descartáveis, entre outros.

Outra queixa recorrente de pais e responsáveis é a retenção da transferência de alunos com débitos financeiros. A prática é abusiva e proibida. Segundo o Procon, a escola pode negar a rematrícula do estudante inadimplente na mesma instituição, mas não pode impedir a transferência para outra escola escolhida pela família.

Como denunciar

As denúncias podem ser feitas pela Central de Atendimento ao Consumidor, por meio do telefone 151.

Dicas e direitos na compra do material escolar

  • Antes de comprar, verifique se há itens que sobraram do ano anterior e avalie a possibilidade de reaproveitá-los;
  • A escola só pode solicitar uma resma de papel por aluno. Quantidades superiores podem ser consideradas abusivas;
  • Organizar bazares ou trocas de materiais em bom estado entre amigos ou vizinhos ajuda a reduzir gastos;
  • Na compra de livros, pesquise em sebos físicos ou virtuais, que costumam oferecer preços mais baixos. A escola não pode exigir a compra na própria instituição, salvo quando se tratar de material exclusivo;
  • Algumas lojas oferecem descontos para compras em grupo ou em grande quantidade;
  • Produtos importados seguem as mesmas regras das marcas nacionais, conforme o Código de Defesa do Consumidor (CDC);
  • Evite o comércio informal, que pode dificultar trocas ou assistência em caso de defeito;
  • Fique atento às embalagens de colas, tintas, pincéis e fitas adesivas: elas devem trazer informações claras, em português, sobre fabricante, composição, validade, armazenamento e riscos ao consumidor.
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