2025 entra para o ranking dos três anos mais quentes da história, aponta a Organização Meteorológica Mundial

Temperatura média global superou 1,5 °C por mais tempo do que em qualquer outro período desde o início dos registros.

Sob sol intenso, pessoa se hidrata em meio a calor extremo — cena que ilustra como o aquecimento global já afeta a vida cotidiana em diversas regiões do planeta. Crédito: mbruxelle/ stock.adobe.com

O ano de 2025 está entre os três mais quentes já registrados no planeta, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). O alerta foi divulgado nesta quarta-feira e confirmado por cientistas da União Europeia, que também verificaram que as temperaturas médias globais ultrapassaram o limite de 1,5 °C de aquecimento pelo período mais longo desde o início das medições.

A OMM, que consolida oito grandes conjuntos de dados climáticos de diferentes partes do mundo, informou que seis deles — incluindo o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) e o serviço meteorológico nacional britânico — classificaram 2025 como o terceiro ano mais quente da série histórica. Outros dois apontaram o ano como o segundo mais quente em 176 anos de registros.

Nos Estados Unidos, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) confirmou, em dados divulgados também nesta quarta-feira, que 2025 foi o terceiro ano mais quente em seu banco global de temperaturas, que remonta a 1850.

De acordo com a OMM, todos os oito conjuntos de dados concordam em um ponto central: os últimos três anos formam o trio mais quente já registrado no planeta. O recorde absoluto permanece com 2024.

Três anos acima do limite de 1,5 °C

As pequenas diferenças entre os rankings refletem metodologias distintas e tipos variados de medição, que incluem dados de satélite e leituras de estações meteorológicas espalhadas pelo mundo.

O ECMWF destacou que 2025 concluiu o primeiro período de três anos consecutivos em que a temperatura média global ficou 1,5 °C acima dos níveis da era pré-industrial — patamar a partir do qual os cientistas esperam impactos severos, alguns potencialmente irreversíveis.

“1,5 °C não é um precipício. No entanto, sabemos que cada fração de grau importa, especialmente para o agravamento de eventos climáticos extremos”, afirmou Samantha Burgess, líder estratégica para o clima no ECMWF. Ela acrescentou que há grande probabilidade de 2026 figurar entre os cinco anos mais quentes já registrados.

O desafio de gerir o excesso de temperatura

Pelo Acordo de Paris, firmado em 2015, os governos se comprometeram a tentar manter o aquecimento global abaixo de 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais, considerando médias de longo prazo. No entanto, a dificuldade em reduzir as emissões de gases de efeito estufa faz com que essa meta possa ser ultrapassada antes de 2030 — uma década antes do previsto quando o tratado foi assinado.

“Estamos fadados a ultrapassá-lo”, afirmou Carlo Buontempo, diretor do Serviço Copernicus de Mudanças Climáticas da União Europeia. “A escolha que temos agora é como gerir da melhor forma o inevitável excesso e suas consequências para as sociedades e os sistemas naturais.”

Atualmente, o aquecimento global de longo prazo está em cerca de 1,4 °C acima da era pré-industrial, segundo o ECMWF. Em termos anuais, as temperaturas médias já superaram 1,5 °C pela primeira vez em 2024. Em 2025, a NOAA registrou um desvio de 1,34 °C (ou 2,41 °F) acima da média pré-industrial.

A agência americana também informou que o conteúdo de calor da camada superior dos oceanos atingiu um novo recorde em 2025. O fenômeno indica que os mares estão em seus níveis mais elevados de calor, o que contribui para tempestades mais intensas, chuvas mais volumosas e elevação do nível do mar.

Eventos extremos em escala crescente

Ultrapassar o limite de longo prazo de 1,5 °C tende a provocar impactos mais intensos e generalizados, como ondas de calor mais prolongadas, além de tempestades e inundações mais destrutivas.

Já em 2025, incêndios florestais na Europa produziram as maiores emissões totais já registradas. Estudos científicos também confirmaram que eventos específicos foram agravados pelas mudanças climáticas, como o furacão Melissa, no Caribe, e as chuvas de monção no Paquistão, que deixaram mais de mil mortos em enchentes.

Apesar do agravamento dos impactos, a ciência do clima enfrenta resistência política. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump — que já classificou a mudança climática como “a maior farsa” — retirou o país de dezenas de organismos ligados à ONU, incluindo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Ainda assim, há consenso entre cientistas de todo o mundo de que as mudanças climáticas são reais, causadas principalmente pela ação humana e estão se intensificando. A principal origem do problema são as emissões de gases de efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás, que retêm calor na atmosfera.

Com informações da Reuters.

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