Após quase duas décadas de obras e recentes impasses jurídicos, a Ferrovia Transnordestina iniciou, nesta semana, o transporte de cargas. A primeira operação envolve o escoamento de milho entre Bela Vista do Piauí (PI) e Iguatu (CE), marcando o início efetivo das atividades da linha férrea.
A primeira composição partiu do Piauí com 20 vagões e percorre um trajeto de 585 quilômetros entre as duas cidades. A operação foi confirmada pela Transnordestina Logística S.A. (TLSA), responsável pela construção e pela operação da ferrovia. A empresa não divulgou detalhes sobre o volume transportado, os clientes atendidos nem a periodicidade das viagens.
Segundo a TLSA, o início das operações foi possível após a emissão da Licença de Operação (LO) pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), concedida no último dia 11. “A licença possibilita o transporte de cargas neste trecho. O início efetivo do transporte comissionado será programado em conjunto com os governos federal, do Ceará e do Piauí”, informou a empresa, em nota.
Operação em fase de testes
A circulação dos trens ocorre ainda em fase de comissionamento, etapa destinada a testes técnicos e operacionais. A primeira viagem estava prevista para 24 de outubro, mas foi suspensa na véspera pelo Ibama devido à ausência da licença ambiental. Após quase dois meses de análise, o órgão autorizou o funcionamento do trecho.
Avanço das obras
Do total de 1.206 quilômetros previstos para a Transnordestina, 56,3% já estão totalmente concluídos e aptos para operação em fase de testes. Os 43,7% restantes encontram-se em diferentes estágios de execução ou ainda não foram contratados. Mais de 4 mil trabalhadores atuam diretamente nas obras da ferrovia, segundo a TLSA.
A fase 1 do projeto apresenta 78% de avanço físico, com 676 quilômetros da linha principal concluídos e outros 280 quilômetros em obras, distribuídos em seis lotes. Os lotes 4 e 5 concentram a execução da superestrutura — trilhos, dormentes e brita — em 108 quilômetros, enquanto os lotes 6, 7, 8 e 11 avançam nas obras de infraestrutura em 178 quilômetros.

De acordo com a empresa, a conclusão da fase 1 está prevista para 2027, quando será possível conectar São Miguel do Fidalgo (PI) ao Porto do Pecém, no Ceará. Já a fase 2, com 151 quilômetros de extensão no Piauí, deve ter as obras retomadas no primeiro semestre de 2026, com conclusão estimada para 2028.
Sobre a Transnordestina
Iniciada em 2006, durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Ferrovia Transnordestina tem 1.206 quilômetros de extensão planejados. A expectativa é que o empreendimento seja totalmente concluído até 2029, interligando o município de Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém, no Ceará.
O investimento total estimado para a finalização do projeto é de R$ 15 bilhões. Quando concluída, a ferrovia terá capacidade para transportar até 33 milhões de toneladas por ano, podendo substituir cerca de 400 caminhões no transporte de cargas e atender mais de 50 municípios nos estados do Piauí, Pernambuco e Ceará.
