Funai pede apoio da Polícia Federal para apurar emboscada durante operação no Pará

Vaqueiro que auxiliava o Ibama é morto a tiros na Terra Indígena Apyterewa

Por Redação
A ação de desintrusão no território indígena Apyterewa, é realizada de forma integrada, com participação do Ministério dos Povos Indígenas, Funai, Abin, Ibama, Força Nacional, polícias Civil e Militar do Pará e da Agência de Defesa Agropecuária do estado. Gilvan Alves/TV Brasil

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou, nesta terça-feira (16), que o assassinato do vaqueiro Marcos Antônio Pereira da Cruz, de 38 anos, ocorreu em uma emboscada durante uma operação de desintrusão na Terra Indígena (TI) Apyterewa, no município de São Félix do Xingu, no Pará. A vítima prestava serviço ao órgão ambiental no momento do crime. As informações são da Agência Brasil.

Diante do caso, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) solicitou apoio da Polícia Federal (PF). Segundo a fundação, agentes federais já se deslocam para a base instalada na terra indígena, nas proximidades do distrito de Taboca. A PF informou que equipes já realizam diligências no local, e que a investigação está a cargo da delegacia da corporação em Redenção (PA).

O vaqueiro foi alvejado no pescoço na segunda-feira (15), enquanto auxiliava o Ibama na retirada de aproximadamente 350 cabeças de gado de uma área invadida ilegalmente. A ação integra uma operação de desintrusão determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 709.

A ADPF foi ajuizada em 2020 pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), durante a pandemia de Covid-19, com base na situação de vulnerabilidade dos povos indígenas da região, alvo de invasões por pecuaristas e garimpeiros. Desde então, o poder público tem atuado para retirar os invasores do território.

Emboscada

De acordo com a Funai, a emboscada ocorreu durante uma das ações de desintrusão determinadas pelo STF. Participam dessas operações, além do Ibama e da Funai, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Força Nacional e as polícias Civil e Militar.

A fundação informou que, apesar da gravidade da situação, os servidores estão em segurança em uma das bases de apoio. A principal suspeita é de que o ataque tenha sido cometido por “antigos moradores da terra indígena, que ainda invadem o local para a criação ilegal de gado”, sem que nomes fossem citados.

Caminhos da Reportagem

Uma equipe do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, esteve recentemente na TI Apyterewa para produzir material sobre o processo de desintrusão. A repórter Ana Passos relatou que o vaqueiro foi baleado por volta das 14h e destacou que mais de 2 mil pessoas ligadas à criação de gado e ao cultivo de cacau já foram retiradas da área.

“Apesar de os produtores rurais terem sido removidos, ainda há gado remanescente. O Ibama identificou mais de 40 pontos com presença de bovinos. Alguns invasores continuam tentando entrar no território para manejar esse gado. Eles vêm promovendo atentados contra indígenas e agentes do Estado. Um servidor da Funai chegou a ser baleado no ano passado”, afirmou.

Segundo a repórter, os invasores costumam queimar pontes e instalar obstáculos pontiagudos nas estradas para furar pneus de veículos oficiais. “É uma ação complexa, porque esse gado está em áreas de mata de difícil acesso, muitas vezes impossíveis de alcançar de carro ou até de quadriciclo”, explicou.

Apuração

Em nota, o Ibama informou que já adotou as medidas cabíveis para a apuração do crime, com o objetivo de identificar os responsáveis e promover a devida responsabilização, nos termos da lei. O órgão também lamentou profundamente o ocorrido, manifestou solidariedade aos familiares e amigos da vítima e afirmou estar prestando o apoio necessário à família neste momento de dor.

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