Monstro da Água Verde: conheça história que assombrou o Ceará há 60 anos

Avistada em Palmácia, no Maciço do Baturité, a criatura que emergia das águas do açude Botija é lembrada nesta sexta-feira 13, a única de 2025 - Reprodução / O POVO em 30.08.1966

Era uma tarde comum na serra de Palmácia, há quase 60 anos, quando a calmaria do açude Botija foi interrompida por algo impensável.

Dos olhos de pescadores e moradores das redondezas, surgiu o relato de uma criatura fantástica: dorso semelhante ao de um jacaré, barriga de tartaruga e grandes chifres saindo da cabeça de boi. Apenas um olho iluminava sua face monstruosa.

Assim nasceu a lenda do Monstro da Água Verde, um mistério do folclore cearense.

A história correu rapidamente pelas ladeiras do Maciço do Baturité, a 74 km de Fortaleza, desceu até a Capital e logo virou manchete em jornais.

A criatura, segundo testemunhas, emergia das águas com frequência, como se estivesse observando o povo. Era impossível prever o momento exato da aparição — o que tornava tudo ainda mais assustador.

Sexta-feira 13: dia de lembrar o inexplicável

A história do Monstro da Água Verde é relembrada nesta sexta-feira 13 — a única do ano. É o dia ideal para quem gosta de lendas, visagens e fenômenos inexplicáveis.

A cobertura feita pelo O POVO, em 30 de agosto de 1966, assinada pelo repórter Assis Tavares, relatou com espanto o terror vivido pelos moradores de Palmácia. A lagoa, antes fonte de alimento e lazer, tornou-se zona de medo.

“A Água Verde agora é um perigo; ninguém se aventura a enfrentá-la”, dizia a matéria. Os peixes sumiram e os pescadores se queixavam de que nem piaba mais se pegava.

Monstro da Água Verde: encontro com a criatura

Uma das testemunhas foi o agricultor Sebastião Feliciano, morador das redondezas, que afirmou ter visto a criatura.

Sebastião descreveu sua experiência à reportagem: “Fiquei ali na beira espiando, e quando menos esperava, lá estava a coisa de cabeça pra cima. Era assim um tipo de jacaré, mas muito mais chato. Tinha muitos mondrongos na cabeça e na espinha. Esperei e ele foi desaparecendo, fazendo muita borbulha”.

Apesar de dizer não acreditar em “visagem nem conversa de mãe-d’água”, ele confessou que, após o encontro, passou a voltar sempre ao açude, na esperança de ver a criatura novamente. Não viu mais. Mas não mudou sua certeza.

A caça ao monstro

Com o medo tomando conta da população e os relatos se acumulando, autoridades foram acionadas. Policiais se posicionaram às margens do açude.

Um deles, segundo os registros da época, teria avistado o bicho e disparado três tiros. Dias depois, um animal foi encontrado: 1,6 metro de comprimento e 32 quilos. Era um jacaré.

Mas, para a população, aquilo não encerrava a história. O animal abatido não coincidia com as descrições das dezenas de testemunhas. A dúvida permaneceu no ar: e se o que viram não era apenas um jacaré? E se o verdadeiro monstro ainda estivesse escondido, lá no fundo da Água Verde?

Monstro da Água Verde: a verdade está (ou esteve) na água?

Ao final da matéria de 1966, o texto deixou claro: “As narrativas feitas são inteiramente verídicas. Os depoimentos tomados são válidos diante da responsabilidade das pessoas abordadas”.

Embora os jornalistas não tenham visto qualquer vestígio do animal, o número de relatos e a semelhança das descrições sustentaram a lenda por décadas.

A lagoa Água Verde segue ali, serena e profunda. Mas, desde então, carrega consigo o peso de uma história não desvendada. Há quem diga que, em noites sem luar, ainda se pode ouvir um rebuliço misterioso nas águas.

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